Retirada de deputados que iriam votar contra projeto da Sanepar foi decidida no Palácio Iguaçu

| Banda B

Foto: Sandro Nascimento (Alep)

Luiz Carlos Martins – Foto: Sandro Nascimento (Alep)

A decisão do chamado “núcleo duro” do governo Beto Richa, de trazer de volta à Assembleia os secretários Luiz Eduardo Cheida (PMDB) e Luiz Claudio Romanelli (PMDB) para substituir os deputados suplentes Luiz Carlos Martins (PSD) e Gilberto Martin (PMDB), foi tomada em uma reunião na noite anterior, de terça-feira (17), no Palácio Iguaçu. O objetivo do encontro era encontrar uma forma de impedir que os dois deputados suplentes votassem contra o projeto enviado pelo governador Beto Richa, para aumentar o capital social da Sanepar lançando ações da companhia na Bolsa de Valores.

O deputado Romanelli tomou a iniciativa de ligar pessoalmente para o deputado Gilberto Martin, na manhã de quarta-feira, para avisá-lo da substituição. Já para Luiz Carlos Martins ninguém avisou e ele foi, normalmente, até o plenário no período da tarde para participar da sessão. Chegando lá, viu que seu nome não estava mais no painel. “Foi um constrangimento. Ninguém da Mesa Diretora da Assembleia teve a capacidade de me ligar e avisar da substituição. O governo me fez de palhaço, me trataram como moleque e isso eu não admito, não aceito. Não há dinheiro que mude o meu voto. Custava me avisar para eu não passar por uma situação vexatória como essa?”, declarou Martins ao vivo hoje, no Jornal da Banda B, líder de audiência no horário entre as rádios AMs e FM de Curitiba e região.

Martins voltou a questionar o governador Beto Richa e tem certeza que ele sabia da retirada dos secretários para garantir a votação do projeto. “O sentimento é de traição. Fui desrespeitado, não só eu mas também as quase 40 mil pessoas que votaram em mim. Pressão é um instrumento da democracia, mas chantagem não. Quiseram me castigar como um moleque. Por que fazer isso comigo Beto Richa? E não venham com a história que ele não sabia porque sabia sim”, completou.

O governo conseguiu aprovar a vendas ações da Sanepar por 32 votos a 15. A previsão é que a venda para a iniciativa privada represente a entrada de cerca de R$ 1,4 bilhão aos cofres públicos.

Solidariedade

Desde ontem, Martins têm recebido a solidariedade de centenas de ouvintes e políticos. Em entrevista à Banda B, o senador Roberto Requião (PMDB), parabenizou Luiz Carlos Martins pela decisão de não vender a Sanepar. “Meus parabéns a Luiz Carlos Martins e a posição dele tem que ser entendida e apoiada pelo povo paranaense. E esses secretários que voltaram não têm vergonha na cara”, afirmou.

Para Requião, com o tempo a tarifa de água vai aumentar sim. “Esse pessoal que vai comprar as ações para ganhar dinheiro. E como se ganha dinheiro? Diminuindo os investimentos e aumentando a tarifa para dar lucro. Fui governador por 12 anos e nunca precisei fazer uma patifaria dessas pra Sanepar funcionar”, completou o senador.

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Sobre Rodini Netto

Jornalista de profissão, editor dos Blogs Meandros da Política (Brasil), Versão Brasileira (Europa). Diretor do Jornal Diário de Piraquara Consultor de Comunicação Digital
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