Artigo de Requião Filho: “PT queria mudar ‘sistema’, mas acabou mudado pelo ‘sistema'”

Requião Filho, especialista em políticas públicas, em sua coluna nesta quinta, analisa a "sopa de letrinhas" que virou as siglas partidárias; "Votei três vezes no PT para a presidência, esperava que o PT mudasse o Brasil, mas foi o sistema que mudou aqueles PTistas que lá chegaram", lamenta o colunista, ao observar que os petistas ficaram iguais aos tucanos neoliberais que, pelo poder, aplicam "estelionatos eleitorais" nos brasileiros; “O PT privatizou o pré-sal e adota ideais parecidos como os defendidos pelo governador Beto Richa”; Requião Filho também não perdoa o próprio PMDB, partido que está filiado, ao classifica-lo como fisiológico no plano nacional, mas diferenciado no Paraná. “Tenho fé no PMDB, em sua militância, e que se chegarmos lá será para mudar as regras do jogo”, anotou; leia o texto.

Requião Filho, especialista em políticas públicas, em sua coluna nesta quinta, analisa a “sopa de letrinhas” que virou as siglas partidárias; “Votei três vezes no PT para a presidência, esperava que o PT mudasse o Brasil, mas foi o sistema que mudou aqueles PTistas que lá chegaram”, lamenta o colunista, ao observar que os petistas ficaram iguais aos tucanos neoliberais que, pelo poder, aplicam “estelionatos eleitorais” nos brasileiros; “O PT privatizou o pré-sal e adota ideais parecidos como os defendidos pelo governador Beto Richa”; Requião Filho também não perdoa o próprio PMDB, partido que está filiado, ao classifica-lo como fisiológico no plano nacional, mas diferenciado no Paraná. “Tenho fé no PMDB, em sua militância, e que se chegarmos lá será para mudar as regras do jogo”, anotou; leia o texto.

Requião Filho*, publicado no Blog do Esmael

Um governo eleito, um governo eleito democraticamente, representa a maioria da população. Esta população votou em uma pessoa ou no que esta pessoa representa? A pessoa eleita representa um partido, este partido representa um programa, geralmente descrito em seu estatuto. O programa partidário traz em si as ideias e os ideais.

Digo isto porque aqui no Paraná o governador Beto Richa segue os ideais neoliberais de seu partido com afinco, busca privatizar, terceirizar e abrir vantagens para grupos estrangeiros sobre os nacionais desacreditando a capacidade nacional. Bem como fez FHC. Não é um governo que busca defender a indústria local e incentivar o pequeno a crescer. Assim é com a indústria e assim se faz com a agricultura.

O PSDB paranaense segue a cartilha. Quebrou o Estado, não paga fornecedores e não cumpre promessas de campanha, mas fez aquilo que prega seu programa. Resta ao caos do governo estadual a sua coerência estatutária.

O governo federal, ah!, o governo federal, este mamute de força política… faz de tudo para manter sua imagem de governo do povo, de partido dos trabalhadores, quer ser o governo de esquerda para as classes populares e um governo que gere segurança para o grande capital. Opa! Péra aê (sic) PT preocupado com o grande capital, está certo isso?

Mas o PT é o governo do Bolsa Família.

Mas o PT é o governo que incentiva o trabalhador a se afundar em dívidas buscando o crédito nos bancos e financeiras e nada faz sobre o spread ou os juros cobrados.

Mas o PT é o partido do Pro-Uni, que deu acesso a milhares de jovens à universidade.

Mas o PT é o governo que depois de criticar o Serra na campanha porque este queria privatizar o pré-sal o fez na maior cara de pau entregando nosso petróleo.

Mas o PT é o partido do Minha Casa Minha Vida.

Mas o PT é o partido que colocou à venda as ações do Banco do Brasil na bolsa, entregando de forma sorrateira o nosso banco para acionistas privados.

O PT hoje é o partido antagônico de si mesmo.

O PT que governa o Brasil é antagônico de sua militância e de seu programa, ao mesmo tempo que nos traz grandes alegrias e conquistas, traz tristezas e perdas ao patrimônio nacional de difícil reversão. Verdade seja dita.

Ano eleitoral, ano de Copa, e um amigo jornalista, um amigo pensante, me chama a atenção para um artigo de Vinicius Mota. Mota relembra os PTistas acusando FHC de “estelionato eleitoral” uma vez que mantinha um Real (R$) supervalorizado em ano eleitoral por meio de um câmbio fixo, o que lhe garantiu a reeleição.

Anos depois, relembra o autor, o racionamento de energia enterrou os sonhos de PODER eterno do PSDB. Mota nos traz para o presente e traz à tona o “estelionato eleitoral” que hoje pratica o PT. Segura de forma irreal e política os preços nodais da economia, tais como o preço da gasolina. A conta virá com certeza em 2015, depois das eleições. Como será cobrada? Aumento de tudo quanto é serviço, preço e impostos.

Neste parágrafo gostaria de dizer ao leitor que o PMDB é fiel ao seu programa e que o partido é uma garantia de renovação no plano nacional. Gostaria, mas não vou mentir.

Eduardo Cunha, líder da rebelião no Congresso Nacional se apaziguou. Negociou com Dilma, sabe Deus o quê, mas negociou. A ala do PMDB que busca uma reforma tributária séria, não meros incentivos fiscais paliativos, ou que busca a industrialização do nosso país por meio de um programa sério de crescimento nacional e guerra contra os juros abusivos, a ala de nosso partido que é fiel ao Programa do PMDB é minoritária.

Meu Deus! Vamos desistir então???!!! Não! Nunca! Parafraseando o bem instruído Lula por seus marqueteiros: “Sou brasileiro e não desisto nunca!”.

Gostaria de ver os militantes PTistas com o programa de seu partido embaixo do braço gritarem em todos os 27 estados e que se fizessem ouvir, gostaria que esta turma retomasse o poder de seu partido e fizesse política com ideais que construíram.

Gostaria de ver o meu PMDB fazendo o mesmo, destituindo a cúpula corrompida pelo fácil acesso ao poder de nossa executiva nacional e fazendo valer o texto que construiu este que é o maior partido do Brasil. Prego o que diz o programa do meu partido:

“a importância da organização dos partidos e das bases da sociedade. Sem organização popular e partidária, não há resistência eficaz contra o autoritarismo e o privilégio. Sem organização popular e partidária, os governos perdem-se no sectarismo, no voluntarismo das cúpulas partidárias ou no personalismo dos líderes. Sem organização popular e partidária, a democracia esvazia-se de vivência popular e a política não alcança os homens nas suas preocupações quotidianas, nem recebe deles inspiração orientadora. Sem organização popular e partidária, que lhe sirva de instrumento, não há distribuição da riqueza e da renda, nem se incentiva no indivíduo o sentido da cidadania”.

Já votei 3 vezes no PT para a presidência, esperava que o PT mudasse o Brasil, mas foi o sistema que mudou aqueles PTistas que lá chegaram. Esqueceram que ao se tirar o diabo para dançar quem muda não é o diabo, quem muda é você.

Tenho fé no PMDB, em sua militância, e que se chegarmos lá será para mudar as regras do jogo e não nos dobrarmos aos players que lá se encontram.

*Requião Filho é advogado, especialista em políticas públicas

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