Bitcoins: Quanto vale 
a moeda virtual

| Exame Angola / Marketing

O americano Sapan Shah, de 24 anos, é dono de uma loja da rede de fast food Subway, em Allentown, no estado da Pensilvânia. Depois de ler a notícia de que alguns restaurantes na Rússia já aceitavam a bitcoin (moeda electrónica) como forma de pagamento, Shah, um entusiasta das novas tecnologias, resolveu imitá-los.

Além de despertar a curiosidade dos 110 mil habitantes de Allentown, Shah ganhou notoriedade nos sites e jornais americanos. Ele foi o primeiro empresário de uma grande rede de lojas a aceitar a bitcoin — uma moeda virtual gerada através de um software desenvolvido, em 2008, por um grupo anónimo de programadores sob o pseudónimo de Satoshi Nakamoto. “Queria livrar-me das taxas cobradas pelos cartões”, justificou.

DINHEIRO ELECTRÓNICO: 
12 mil lojas no 
mundo já aceitam pagamentos 
em bitcoin

O salto de popularidade da moeda surgiu no início de Novembro do ano passado, quando Ben Bernanke, prestes a abandonar o cargo de governador da Reserva Federal (Fed) americana, fez a primeira declaração oficial sobre o tema. “As moedas virtuais serão promissoras no longo prazo caso permitam pagamentos rápidos, seguros e eficientes”, escreveu numa carta enviada ao Senado. No mesmo dia, o valor da bitcoin subiu 50%, para 785 dólares. No fim desse mês, já valia 1000 dólares.

O secretário do Tesouro americano manifestou em Davos a sua preocupação que a bitcoin possa servir para financiar negócios ilícitos

Porém, nem todos partilham a opinião de Bernanke. A China proíbe o uso da moeda e a agência reguladora da União Europeia, alertou para a falta de protecção do consumidor. É que a grande diferença entre a bitcoin e o sistema monetário tradicional está na ausência de um banco central que controle a emissão de dinheiro. No caso da bitcoin, isso é feito através de um software que gera automaticamente problemas matemáticos pela internet ao longo do tempo. Quem conseguir resolvê-los primeiro, recebe um código equivalente a uma unidade da moeda.

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Mais fama do que proveito
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Apesar da expansão inédita, o ruído gerado pela moeda parece ser muito maior do que a sua relevância para o sistema financeiro. Em todo o mundo, apenas 12 mil estabelecimentos aceitam bitcoins cujo volume de transacções é de 12 mil milhões de dólares. Já o sistema de pagamento on-line PayPal, por exemplo, que, além de aceitar cartões, tem o próprio modelo de moeda virtual, processou 145 mil milhões de dólares.

A maioria dos analistas acredita que a bitcoin só vingará se se tornar uma moeda universal. Até lá, poderá não passar de mais uma moda. Ou pior, de uma bolha, como sugerem o Prémio Nobel da Economia, Paul Krugman, ou o CEO da JP Morgan, Jamie Dimon. Na reunião de Davos, o secretário do Tesouro americano, Jack Lew, confessou o espanto com a bitcoin mania. “A maior preocupação do governo é travar o uso da moeda em actividades ilícitas”, disse. Citou o exemplo da loja virtual The Silk Road, entretanto fechada pelo FBI, que vendia drogas e documentos falsos pela internet e recebeu 1,2 mil milhões de dólares em bitcoins. “As transacções são anónimas. E isso cria uma avenida para quem financia actividades ilegais”, justificou.

Para prevenir tais crimes, os Estados Unidos obriga os donos das casas de câmbio de moedas virtuais a registarem-se no Departamento do Tesouro. “Concentramo-nos na regulação das instituições, e não no utilizador, porque esperamos que elas participem na protecção do sistema”, diz Jennifer Calvery, directora do departamento responsável pelos crimes financeiros.

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OS GÊMEOS WINKlEvOSS: Eles têm 120 milhões de dólares em bitcoins

Por enquanto, isso parece não assustar os investidores. Os irmãos Tyler e Cameron Winklevoss, famosos por acusarem Mark Zuckerberg de lhes ter roubado a ideia da rede social Facebook, criaram um fundo de investimento cuja cotação está indexada ao valor das bitcoins. “Queremos que as pessoas comprem a moeda de forma tão simples quanto uma acção”, diz Cameron. Outro fundo, avaliado em 8,2 milhões de dólares, foi entretanto lançado no SecondMarket, Bolsa americana de activos de alto risco. Alguns economistas gostam de comparar a bitcoin ao ouro: algo raro, que pode ser usado como reserva de valor alternativa. Os críticos contrapõem que nem tudo o que reluz, no mundo virtual, é realmente ouro, no mundo real.

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Sobre Rodini Netto

Jornalista de profissão, editor dos Blogs Meandros da Política (Brasil), Versão Brasileira (Europa). Diretor do Jornal Diário de Piraquara Consultor de Comunicação Digital
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