Transporte Coletivo da RMC: Empurrando com a barriga, por Valdir Cruz

| Blog do Valdir Cruz

Por Valdir Cruz

A negociação sobre o subsídio dos ônibus metropolitanos, liderada pelo secretário chefe da Casa Civil do Governo do Estado, Reinhold Stephanes, entrou na fase do lero-lero. Empacou. Ou melhor, agora o governo vai enrolando para ganhar tempo. E com isso, arma-se uma cilada – ou mais uma – para cima dos passageiros.

Assessoria Assomerc

(photo: )
Reunião dos prefeitos na Comec para discutir o valor do subsídio da passagem.

A irresponsabilidade do governo Beto Richa nessa questão já é mais do que um caso de falta de competência. É um caso policial, se não for um problema psiquiátrico.

Vejamos em detalhes alguns lances desse imbróglio que faz a população de trouxa:

1) O subsídio é necessário para manter o transporte integrado entre Curitiba e 13 municípios da Região Metropolitana. Esse sistema beneficia diretamente a mais de 400 mil pessoas que fazem deslocamentos diários entre a sua cidade e Curitiba ou vice-versa. São trabalhadores e estudantes a quase totalidade dos passageiros da integração. Indiretamente, se incluirmos a família dos beneficiados com o sistema, o número de pessoas beneficiadas passa de um milhão.

2) O subsídio começou a ser pago em julho do ano passado, logo depois dos protestos contra o transporte coletivo público feito em várias capitais, incluindo Curitiba. Para reduzir em 15 centavos a tarifa, a fórmula encontrada foi o subsídio pago pelo governo, por meio da Coordenação da Região Metropolitana (Comec). O valor acertado à época, com validade até o final de fevereiro deste ano, era de R$ 5 milhões por mês.

3) O secretário do Desenvolvimento Urbano, Ratinho Júnior, a quem a Comec está vinculada, começou a negociar a manutenção do subsídio no início de fevereiro. Mas a negociação não avançou, porque o governo foi incapaz de fazer qualquer proposta.

4) Na segunda quinzena de fevereiro, o governador chamou para si a responsabilidade pela negociação, mas delegou o poder ao secretário chefe da Casa Civil, Reinhold Stephanes. Houve várias reuniões. E um acordo está para ser fechado.

5) Sem mais nem menos, e agindo de maneira irresponsável, o governador anuncia, unilateralmente, em entrevista à "Gazeta do Povo", a manutenção do subsídio nos mesmos cinco milhões do acordo anterior.

6) Logo depois da entrevista, vem uma ampla campanha publicitária anunciando a manutenção dos repasses para o sistema integrado. Porém, o governo"esqueceu" de depositar o dinheiro do subsídio que ele tanto anunciou. E o depósito só foi feito mais de um mês depois, porque o prefeito Gustavo Fruet tornou público, por meio deste blog, o calote que o sistema de ônibus estava levando do governo.

7) Desmoralizado e sem poder, o secretário Reinhold Stephanes retoma a negociação com os prefeitos, na última segunda-feira, 10. A reunião foi na sede da Comec. Stepnhanes admite que o governo Richa não se preparou para modernizar o sistema e não fez proposta alguma para manter o subsídio, já que o contrato anterior venceu no dia 10 de fevereiro.

8) O presidente da Assomec (Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Curitiba) e prefeito de Pinhais, Luizão Goulart, diz que é necessário que a Comec assuma definitivamente o gerenciamento do transporte coletivo da Região Metropolitana. “O Governo do Estado criou o subsídio e tem a legitimidade de gerenciar o transporte. Não podemos ficar neste ‘empurra-empurra’ entre URBS e Comec, pois a cada inicio de ano vivemos uma grande ‘novela’ na RMC”, criticou.

9) Sem qualquer avanço na reunião, o sinal de tempestade está no ar. O contrato que prevê o subsídio de R$ 5 milhões foi prorrogado emergencialmente até o dia 13 de março, ou seja, hoje.

10) Segunda-feira, poderemos ter um aumento no valor da passagem ou desintegração do transporte, com consequências imprevisíveis para os passageiros.

Enquanto isso, o governador provoca cizania na própria equipe. O secretário Ratinho Júnior foi afastado das negociações. O coordenador da Comec, Rui Hara, homem de confiança do ex-prefeito Luciano Ducci, costuma zombar publicamente de seu atual chefe, Ratinho Júnior, classificando-o como "despreparado".

Como governar com uma equipe tão "unida e coesa" assim?

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Sobre Rodini Netto

Jornalista de profissão, editor dos Blogs Meandros da Política (Brasil), Versão Brasileira (Europa). Diretor do Jornal Diário de Piraquara Consultor de Comunicação Digital
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