Composto fornecido no PR prejudica crianças doentes, reclamam pais

| G1-Pr

Luiz Haab

Do G1 PR

Criança com fenilcetonúria apresentou aftas após ingerir novo composto (Foto: Arquivo pessoal)
Criança com fenilcetonúria apresentou aftas após ingerir
novo composto (Foto: Arquivo pessoal)

A mudança da fórmula de um composto alimentar fornecido pela Secretaria de Estado de Saúde do Paraná (Sesa) pode ser a explicação para a piora de crianças portadoras de fenilcetonúria. A doença genética atinge crianças entre um e oito anos de idade, e, se não tratada, causa distúrbios mentais. A denúncia foi feita ao G1 nesta quarta-feira (12), por pais de crianças doentes, e confirmada por especialistas ouvidos pela reportagem.

Segundo a mãe de uma das crianças, a marca do composto de aminoácidos, carboidratos, vitaminas e minerais fornecido passou a ser diferente desde o fim de 2013. “Antes era uma empresa americana que fabricava um pó bem fininho, parecido com leite em pó. Agora a mistura é comprada de uma fábrica brasileira e vem bem mais grosseira; você vê partículas de diferentes tamanhos.”

Após duas semanas ingerindo a nova fórmula, a mãe conta que a filha de dois anos e sete meses passou a apresentar problemas. “Minha filha está gaguejando e mancando. Ela nunca havia feito isso. Tenho muito medo de que já seja uma consequência dessa nova fórmula”.

A mãe conta ainda que a doença da filha foi diagnosticada aos nove dias de vida, após o teste do pezinho. Desde então, a menina passou a receber o tratamento oferecido de graça pelo Governo do Estado. “O tratamento sempre foi bom. Nunca tive do que reclamar. Mas agora estamos com medo. E nem todo mundo pode comprar a fórmula antiga, porque só vende pela internet e custa R$ 400 reais a lata.”

A nutricionista Caroline Bevenutti, da Fundação Ecumênica de Proteção ao Excepcional (Fepe), que distribui o composto aos pacientes do Paraná, diz ter percebido reações adversas. “Algumas crianças estão tendo vômitos, dores de barriga e aftas”, revela.

Outra mãe que procurou a reportagem é de Foz do Iguaçu, no oeste do estado. Ela tem uma filha de 1 ano e dez meses que também passou a apresentar reações à nova fórmula. “Com menos de um mês de uso, minha filha já começou a ficar irritada, só queria dormir, puxava os cabelos, batia a cabeça no chão e encheu de feridas na boca. Quando ela começou a cair e ter dificuldade para andar, a nutricionista da Fepe disse para eu suspender a fórmula. Fiz isso por dois dias e a minha filha já voltou a melhorar.”

Em Foz do Iguaçu, a mãe procurou um pediatra que afirmou que a preocupação tinha fundamento. “A menina apresentou um quadro de aftas em toda a mucosa da boca. Quando a mãe me contou sobre a mudança do composto alimentar, concluí que essas feridas são consequência do uso da nova fórmula”, afirmou ao G1 o pediatra Mário Antônio Pacheco Matheus.

A Secretaria de Saúde o Paraná (Sesa), que fornece o complemento alimentar para a Fepe, informou que o produto foi comprado por licitação. Segundo Sesa, foi escolhida a marca que tinha menor preço. A assessoria afirma que a Fepe relatou que em apenas um dos lotes houve problemas e que esse lote foi recolhido. Ainda segundo a assessoria, o laboratório Central do Estado (Lacen) está fazendo testes para verificar se a fórmula distribuída desde o ano passado tem problemas. A Sesa já solicitou a compra emergencial de um novo produto, mas diz que não é possível afirmar que o problema seja a marca usada.

Diferença na textura entre a nova fórmula (esq) e a antiga (dir) (Foto: Arquivo pessoal)
Composto novo (esq) tem textura diferente da fórmula antiga (dir) (Foto: Arquivo pessoal)

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