Sindicato dos motoristas e cobradores indica que greve de ônibus vai terminar

Categoria discute, neste momento, proposta de reajuste de 9,28%, em assembleia na Praça Rui Barbosa. Vice-presidente do sindicato diz que a paralisação deve acabar
Antonio More/Agência de Notícias Gazeta do Povo /

Gazeta do Povo

Os motoristas e cobradores de Curitiba, em greve desde quarta-feira (26), devem decidir hoje pelo fim da paralisação, disse na manhã deste sábado (1º), à reportagem da Gazeta do Povo, o vice-presidente do sindicato dos trabalhadores do transporte coletivo de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc), Dino Cesar Morais de Mattos. Uma assembleia envolvendo toda a categoria está sendo realizada nesta manhã, na Praça Rui Barbosa, no centro.

Às 9h30 já havia movimentação no local. Porém, o presidente do Sindimoc, Anderson Teixeira, ainda não havia chegado, impedindo o início da votação. A proposta que será votada prevê reajuste salarial de 9,28% (5,26% INPC + 3,82%), abano salarial de R$ 300 e aumento de 10,5% no cartão alimentação, que hoje está em R$ 300.

Segundo a assessoria de imprensa do sindicato, a categoria tem até as 15 horas de sábado para dar uma resposta em uma nova rodada de negociações no Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (TRT-9). A assessoria informa também que a sugestão foi apresentada pela Justiça do trabalho e teve o aval do governo municipal e do sindicato patronal.

A proposta foi apresentada nesta sexta durante a 3.ª audiência de conciliação no TRT. Ela ainda a manutenção da data-base dos trabalhadores no dia 1.º de fevereiro.

Inicialmente, o TRT chegou a informar, inclusive em seu perfil no microblog Twitter, que a desembargadora Ana Carolina Zaina havia determinado a volta total da frota de ônibus até meia-noite desta sexta. Depois, o órgão voltou atrás e informou que, na verdade, a retomada dos serviços foi apenas uma sugestão.

A audiência desta sexta foi a última realizada pelo TRT. A ordem agora é de que as partes analisem as novas propostas até as 15 horas deste sábado (1º). Se os trabalhadores não concordarem com a oferta, a magistrada encaminhará a demanda para dissídio coletivo. Quanto aos dias de paralisação, a proposta da juíza aos empresários é que considerem como dia de efetivo serviço.

Representante do Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Curitiba e Região (Setransp), o advogado Carlos Santiago afirmou que aceita não descontar os dias parados, desde que a nova proposta do reajuste seja aprovada em assembleia e os motoristas e cobradores voltem ao trabalho. A classe patronal disse ainda assegurar aos trabalhadores manter as demais cláusulas da convenção coletiva. A reunião desta sexta (28) teve início por volta das 14h15 e foi encerrada pouco depois das 19 horas.

A vice-prefeita, Miriam Gonçalves, que esteve presente na audiência conciliatória, manifestou-se favorável à proposta e disse que é o limite possível que o município pode assumir para por fim à greve.

No encontro em andamento no TRT estiveram presentes, além dos responsáveis pelos sindicatos envolvidos, a vice-prefeita de Curitiba, Mirian Gonçalves, e representantes da Urbanização de Curitiba S/A, da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec), da Câmara Municipal, do Ministério Público do Trabalho, do governo do estado, além de outras entidades ligadas ao funcionamento do transporte coletivo da capital.

Por volta das 15 horas, pouco antes de um intervalo concedido pela desembargadora Ana Carolina Zaina, a Prefeitura de Curitiba retirou o pedido de reconsideração em que solicita a aplicação de multa diária de R$ 100 mil para R$ 1 milhão ao Sindimoc por não cumprimento da determinação judicial de manutenção de 50% da frota operando em horário de pico e 30% nos demais horários do dia.

A administração municipal recuou da decisão logo após o início da terceira audiência conciliatória, quando a magistrada Ana Carolina condicionou a aceitação do pedido a um depósito judicial de R$ 1 milhão. O depósito deveria ser feito pela Urbs ou pelo sindicato patronal, mas ambos declinaram do pedido pela multa mais pesada.

Ana Carolina realizou nesta sexta seu discurso mais enfático sobre o imbróglio que se transformou a discussão do reajuste dos trabalhadores e a alta da tarifa. “Teriam os senhores [Urbs e Setransp] R$ 1 milhão neste exato momento? Então como podem pleitear uma multa dessas a trabalhadores que têm piso de R$ 940 (cobradores) e R$ 1.660 (motoristas)?”, indagou.

Protestos de junho

A magistrada ainda trouxe à tona os protestos populares iniciados em junho do ano passado como uma forma de pressionar um reajuste salarial sem alta na tarifa. “A população foi às ruas e disse não ao aumento do transporte coletivo. Um reajuste dos trabalhadores não pode ser justificativa para pressionar a tarifa cobrada da população”.

Após o discurso, Ana Carolina interrompeu a sessão por 30 minutos para que as partes possam discutir novamente as propostas. Após iniciarem as discussões com um pedido de aumento real na ordem de 16% para motoristas e 22% para cobradores, o Sindimoc recuou sua pedida para 10,5% para ambas as classes. Já os empresários ofereceram reajuste de 7,26% – 2% acima da inflação acumulada no período.

Na volta do intervalo, era realizada uma conversa reservada entre os sindicatos, a Prefeitura, o governo e Ministério Público do Trabalho para tentarem alguma negociação. O encontro continuava até as 17h30.

A reunião desta sexta (28) – terceira de uma série de audiências que vêm sendo realizadas desde quarta-feira (26) no TRT-9.ª para tentar acabar com a paralisação do transporte em Curitiba – ocorre antecipadamente . Ela estava prevista para acontecer na próxima quinta-feira (6), depois do feriado de carnaval, mas decisão foi revertida por um recurso da Prefeitura de Curitiba ainda na quinta.

O recurso foi motivado pelo flagrante de uma obstrução ao terminal do Pinheirinho pelas câmeras da Urbs. Grevistas cercaram o local com alguns ônibus e abandonaram os veículos. A ação motivou um recurso da administração municipal ao plantão judiciário do TRT-9.ª, pedindo a suspensão da greve e uma nova audiência de negociação para esta sexta-feira. Antes das 23 horas, a desembargadora Ana Carolina Zaina aceitou o pedido de uma nova audiência, mas não acatou a solicitação de suspensão da greve.

Audiências anteriores

A primeira audiência de conciliação realizada entre as partes, na quarta-feira (26), a Justiça propôs um reajuste salarial de 10,5%. A proposta foi aceita pelos trabalhadores, em assembleia realizada nesta quinta, mas rejeitada pelas empresas. A reivindicação inicial dos grevistas era aumento de 16% para os motoristas e de 22% para os cobradores, além de um reajuste no vale-alimentação.

Na reunião quinta-feira, sem o acordo por parte do sindicato patronal, a magistrada que acompanha o caso Ana Carolina Zaina, reduziu o reajuste para 7,5%. Já os empregadores avançaram de 5,26% – índice equivalente à inflação acumulada – para 7,26%. A proposta, no entanto, foi recusada pelos trabalhadores, uma vez que o índice elevaria os salários dos cobradores de R$ 940 para R$ 1.009 e dos motoristas de 1.660 para 1.781. Na ocasião, O Ministério Público do Trabalho propôs aumento de 8,5% para motoristas e 10,5% para cobradores.

3º dia de greve tem "caronaço" da Prefeitura

Parte dos motoristas que atuam no “caronaço” da Prefeitura de Curitiba fazem paradas intermediárias entre o Centro e os terminais de ônibus. Os condutores das vans tinham orientação de seguir sem paradas, utilizando as canaletas dos biarticulados. No entanto, alguns veículos fazem paradas intermediárias para embarque e desembarque de passageiros, conforme apurou a reportagem da Gazeta do Povo.

Balanço divulgado às 11h45 pela assessoria de imprensa da prefeitura aponta que 81 veículos oficiais da capital foram cadastrados e já estavam em circulação até esse horário. A linha Santa-Felicidade-Centro foi a que teve mais carros cadastrados, 11 no total. Em seguida aparecem as linhas Pinheirinho-Rui Barbosa, Capão Raso-Rui Barbosa e Pinheirinho Rui Barbosa, com 7 veículos cada.

Ônibus circulam parcialmente e demora causa confusão

A greve dos ônibus em Curitiba entra no 3º dia com os coletivos circulando parcialmente na capital. Pela manhã, entre as 6h45 e as 8 horas, 50% da frota estava nas ruas, segundo a Urbs. Às 9h30, horário no qual foi divulgado o último balanço de circulação, o percentual se manteve em 50%.

A demora dos ônibus causou tumulto em pelo menos dois locais nesta manhã na Grande Curitiba. Dois ônibus foram depredados em Itaperuçu, região metropolitana de Curitiba durante amanhã por causa da demora. O caso aconteceu por volta das 7h30, na Avenida Agrimensor Gildo Pinheiro da Luz. No Terminal Pinheirinho, no mesmo horário, passageiros ficaram nervosos pela demora para a chegada dos biarticulados. Um balde de lixo chegou a ser jogado no meio da canaleta em protesto, mas a situação foi apaziguada em seguida.

Apesar do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc) ter cumprido a determinação judicial de colocar pelo menos 50% da frota de ônibus nas ruas durante o horário de pico (das 6h às 8h), a medida fez pouca diferença para quem precisou acordar cedo e encarar o terceiro dia de greve em Curitiba e Região Metropolitana.

Com menos ônibus nas ruas, o aumento da diferença no tempo de passagem entre um veículo e outro foi suficiente para lotar biarticulados. No Terminal do Pinheirinho, a situação ficou pior após as 7h, quando passageiros das linhas Pinheirinho/Rui Barbosa e Circular Sul tinham de, literalmente, se espremer para conseguir entrar nos ônibus. Muitos preferiam esperar ainda mais para aguardar o próximo veículo.

Seja no Pinheirinho ou em outros terminais, como o Hauer ou o Campo Comprido, vigias e fiscais relataram que foram comuns durante a manhã os casos de discussões acaloradas, xingamentos e ameaças de passageiros dirigidos a motoristas, cobradores e trabalhadores da Urbs – prova de que parte da população não tinha mais paciência com os atrasos e veículos superlotados.

Moradora do Boqueirão, a aposentada Maria Aparecida Negrella esperou 45 minutos pelo ônibus da Linha Iguapê 2. Frente às reclamações veementes dos demais passageiros, desembarcou no Terminal do Hauer temendo pela própria segurança. “Espero que o povo tenha consciência de que não adianta quebrar tudo. Não é esse o caminho. É difícil, mas nessas horas é preciso ter paciência”, disse.

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Sobre Rodini Netto

Jornalista de profissão, editor dos Blogs Meandros da Política (Brasil), Versão Brasileira (Europa). Diretor do Jornal Diário de Piraquara Consultor de Comunicação Digital
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