Coluna do José Fernando Nandé: Curitiba, capital brasileira do prefeito vaiado

zefernandonandeA Coluna do jornalista José Fernando Nandé é publicada, normalmente, às quartas. Hoje, excepcionalmente, a estamos publicando.

Vivemos um início de século nebuloso, confuso em ideologias, repleto de transformações políticas. Em boa parte dos países não-democráticos ou com altas doses de corrupção, gananciosos nos impostos, e sovinas em serviços – e, portanto, apartados dos desejos do povo – as ruas e eventos públicos tornaram-se palcos legítimos da demonstração da insatisfação geral. E isso vale também para outros níveis de governo, como estados e prefeituras. O recado é claro: ou os políticos se comportam de forma democrática, honesta e ouvindo os cidadãos, ou serão sumariamente varridos da história e derrubados pela vontade da maioria. Dessa maneira, hoje, mais do que qualquer outra época, o governante bem intencionado tem que estar de braços com o seu povo.
Hodiernamente, pela facilidade da população em se informar pela rede mundial de computadores, não há mais espaço para o velho político enganador, aquele que promete e não faz e que toma seus banhos diários na ducha do marketing mentiroso. O interessante é que boa parte dos políticos não se atentou ainda para esse detalhe de nossos dias e que salta aos olhos de qualquer observador atento. A internet veio para acabar com as informações filtradas, com as dissimulações, com as hipócritas promessas eleitoreiras, com a safadeza do marketing da enganação.
A prova disso apareceu na semana passada, quando Curitiba promoveu o III Fórum Mundial da Bicicleta (FMB). O prefeito Gustavo Fruet (PDT), como sempre muito mal informado pelos seus assessores e secretários, teve a infeliz ideia de participar da abertura do evento e de mãos vazias, sem nada para mostrar além do velho jeito de fazer política, no enrola neném: projetos, investimentos, mas obra que é mesmo nadinha. Pensava talvez, o prefeito de Curitiba, que ali estava um bando de amestrados desinformados, pronto para os aplausos e divinização de sua triste figura. Pensava ele que ninguém soubesse que Curitiba tem graves questões ainda não resolvidas de mobilidade urbana. Em outras palavras, gravíssimos problemas para o cidadão se mexer dentro da cidade, tais como: congestionamentos; engarrafamentos; pavimentação inadequada nas ruas e calçadas; buracos por todos os lados; sinalização deficitária; transporte público ineficiente e sucateado; e, o que seria o mais importante para o aludido Fórum, a falta de uma malha eficiente de ciclovias, pois a existente, de iniciativa de outros prefeitos, é mínima, apresentando falhas de concepção, projeto e adequação ao natural desenvolvimento da urbe. Isso sem contar lamentável estado das ciclovias e absoluta falta de segurança para os ciclistas, que têm que cuidar da buraqueira e rezar para não serem assaltados e perder as bicicletas, quando não a vida no assalto, ou atropelamento.
Ora, sem resultados práticos para mostrar nos seus sofríveis quase 14 meses de suposta gestão, o prefeito aparece no Fórum com o discurso de promessas, de diagnóstico sem ações concretas e satisfatórias. Esse tipo de discurso não funciona mais, poderia sim, funcionar em jurássicas eras, no tempo da comunicação feita com sinais de fumaça e de mão única, da assessoria do prefeito passando direto para as oficinas dos jornais, sem que as vírgulas mal empregadas e a redação tacanha fossem modificadas. Hoje, como disse, vivemos outros tempos: o tempo das informações instantâneas, que surgem na velocidade da luz por várias fontes; o tempo de uma geração informada, que tem pressa e vontade de resultados.
Sem essas ponderações, o flácido, molenga mesmo, discurso do prefeito não encontrou ouvidos nos que participavam do Fórum, mas sim a indignação numa sonora vaia, talvez a mais vexatória que se tem notícia em nossa capital desde os tempos de que essa cidade respondia pelo singelo nome de Vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais. Nunca, em tempo algum, jamais, um prefeito foi exposto a tal vergonha.
Depois, como sempre vieram as explicações a chorar pitangas sobre a própria falta de tato: ´´Os que estavam lá eram de grupos diferentes, pessoas interessadas nos resultados das negociações da passagem de ônibus, traidores, mercenários opositores´´ etc. Mas vamos e venhamos, se o encontro discutia entre outras coisas a mobilidade urbana, é evidente que pessoas interessadas em transporte coletivo deveriam estar ali. Ou seja, novamente, a perdida assessoria do prefeito e seus secretários arrumavam um emplasto para diminuir a dor de um ego profundamente magoado com a terrível ingratidão do povo.
Disso tudo, há de se tirar lições: primeira, que a vida dos políticos não vai ser nada fácil daqui para diante, o cidadão não aguenta mais discursos de oba-oba, o povo quer resultados para demandas urgentes; segunda, Fruet não está livre de outras vaias e mais contundentes, principalmente agora com a ameaça de um grande movimento popular para impedir a majoração dos preços das passagens de ônibus; terceira lição, não compreender que o político tradicional das promessinhas e tapinhas nas costas já é um caso de arquivo histórico é, antes de tudo, apostar no próprio fracasso que se refletirá na carreira sempre buscada nas urnas. Definitivamente, o mundo se modernizou a partir das facilidades cibernéticas. Mesmo com todo o perfume do marketing e com toneladas de grana torradas na propaganda, não há mais maneiras de um político continuar enganando o povo por dois minutos, quiçá para uma gestão toda.
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Sobre Rodini Netto

Jornalista de profissão, editor dos Blogs Meandros da Política (Brasil), Versão Brasileira (Europa). Diretor do Jornal Diário de Piraquara Consultor de Comunicação Digital
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