População de Colombo rejeita traçado proposto para o Contorno Norte de Curitiba

<População de Colombo rejeita traçado proposto para o Contorno Norte de CuritibaA maioria dos participantes da audiência pública sobre “Os impactos ambientais, econômicos e sociais das obras de ampliação do Contorno Norte de Curitiba”, que aconteceu nesta quarta-feira (19), no Plenarinho da Assembleia Legislativa do Paraná, se posicionou contra o traçado da rodovia desenvolvido no projeto da concessionária Autopista Régis Bittencourt – Grupo Arteris, que administra a BR-116 no trecho entre Curitiba e São Paulo.

Logo após a apresentação dos vídeos pró e contra o traçado do contorno, no início da audiência, o deputado manifestou certa indignação com o que viu. “Se realmente for isto que a concessionária propõe, a obra deste contorno será um verdadeiro ‘comedor de florestas’”, disse Rasca Rodrigues (PV), que propôs e presidiu a audiência, além de ser vice-presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Paraná.

“Esta audiência pública revelou que existem muitos problemas relacionados ao licenciamento ambiental, ao traçado da rodovia e à participação da população de Colombo, principal interessada e afetada por esta obra”, disse Rasca. O Contorno Norte de Curitiba, que pretende ligar a Rodovia da Uva (PR-417) à BR-116, no município de Colombo, na Região Metropolitana (RMC), é uma obra integrante do plano de exploração da BR-116 SP/PR com 13,2 km de pista dupla. O projeto original do contorno é de 1978 e está sendo adequado à realidade atual.

Segundo Rasca, pelas manifestações feitas durante a audiência, o que está sendo proposto como traçado do Contorno Norte de Curitiba é muito polêmico e desagrada não só a população local como também outros segmentos da sociedade. “Será preciso muita discussão para se achar uma solução alternativa para este traçado. E se isso não for possível, teremos que achar formas concretas de mitigar os impactos causados por esta obra”, disse ele. “Nós sabemos que esta obra está no contrato de concessão entre a Autopista e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). E isto precisa ser rediscutido.”

NÃO AO TRAÇADO – Os representantes dos moradores de Colombo, especialmente da Colônia Faria, que é uma comunidade tradicional de imigrantes italianos que se instalaram na região no século XIX e terá dezenas de propriedades afetadas pelo Contorno Norte. “Não há necessidade deste contorno neste traçado proposto. É um projeto de mais de 30 anos e que não contempla as atuais necessidades que um contorno rodoviário deveria suprir”, disse André Fort, presidente da Associação dos Moradores da Colônia Faria (Amici).

“É uma afronta à democracia. Um projeto da época da ditadura não pode ser importa assim, de cima para baixo e sem respeitar as pessoas”, disse Hassan Sohn, representante das Entidades Ambientalistas da Região Sul do Brasil no CONAMA e Advogado de Ação Civil Pública pela entidade Toxosfera. “A população deve ser ouvida e se a população disser não ela deve ser respeitada.”

EMBRAPA – O chefe de administração da Embrapa Osmir Lavoranti fez uma análise do EIA/Rima e foi contundente ao criticar a realização desta obra. “A Embrapa Florestas é o maior imóvel de Colombo, com 305 hectares de área e a proposta deste contorno divide esta área. Também promove o desordenamento territorial e invade área de preservação permanente da APA do Iraí e a nossa reserva legal. Não respeita a resolução do Conama ao apresentar só uma alternativa de traçado e desobedece a Lei da Mata Atlântica. Por isso, esta obra não deveria acontecer”, criticou Lavoranti.

Segundo ele, o contorno, que prevê uma rodovia de pista dupla com 80 metros de largura e 50 metros de recuo com uma área de influência de 500 metros de cada lado, vai afetar todo o sistema hídrico da região da APA do Iraí, com estancamento de águas e destruição de nascentes. “Só na área de reserva legal 62% será afetado. No total teremos 51% da Embrapa Florestas afetada pelo contorno.”

PATRIMÔNIO IMATERIAL – Diversos moradores fizeram uso da palavra para se posicionarem contra o atual traçado do Contorno Norte. Muitos destacaram que a área da Colônia Faria é uma ocupação muito antiga e que preserva o meio ambiente e tradições culturais locais. “Temos que lembrar que esta obra afeta as pessoas. Não é só o meio ambiente e outros impactos econômicos. Ela vai destruir relações pessoais e familiares. Por isso, sou contra. Quero que a minha filha possa ver o que minha família preservou e continuar o nosso modo de vida”, disse Cibele Colere, moradora da Colônia Faria.

IBAMA – O superintendente do Ibama no Paraná Jorge Augusto Callado Afonso explicou que até a segunda quinzena do mês de abril será apresentado o relatório do órgão sobre o EIA/Rima feito para avaliar os impactos ambientais das obras do Contorno Norte de Curitiba. “Todos serão informados da divulgação deste relatório. E a partir disso serão encaminhados os procedimentos relativos ao licenciamento da obra”, explicou Callado.

Tanto o presidente da Comec, José Antônio Camargo, como o secretário de Meio Ambiente de Colombo, José Carlos Amaral, disseram que, por se tratar de uma obra federal, tanto a Comec quanto a prefeitura de Colombo pouco podem fazer para interferir no processo de licenciamento da obra ou mesmo no seu traçado. Apesar disso, Amaral se comprometeu com os participantes a apoia-los para impedir que o contorno cause impactos ambientais e sociais. “Estamos do lado da população”, disse ele.

A coordenadora do Cedea (Centro de Estudos, Defesa e Educação Ambiental) Laura de Moura e Costa disse que a audiência pública atingiu os seus objetivos e foi fundamental para esclarecer sobre os impactos negativos do Contorno Norte conforme o traçado proposto pela concessionária Autopista. “Não somos contra o contorno desde que seja construído em local apropriado e com os menores impactos ambientais e sociais possíveis”, disse ela.

Também participaram da audiência pública Valter Fanini, diretor do Senge-PR; Marcos Ziliotto, engenheiro do DER; Sérgio Pires, presidente do IPPUC e representante do prefeito Gustavo Fruet; David Cunha, representante da Secretaria do Meio Ambiente do Paraná e Renato Lunardon, vereador de Colombo. Diversos moradores também se manifestaram durante a audiência pública.

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Sobre Rodini Netto

Jornalista de profissão, editor dos Blogs Meandros da Política (Brasil), Versão Brasileira (Europa). Diretor do Jornal Diário de Piraquara Consultor de Comunicação Digital
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