Coluna do Márcio Kieller: Black Blocks e Ações Políticas de 360 graus

marcio-kieller-colunaSabemos que na história das coisas, dos eventos, das atividades elas sempre podem servir para mais de uma justificação, para mais de um lado, para mais de uma versão. Hoje os ditos Black blocks vem cumprindo esse papel, de fazer uma política de 360 graus.

Digo isso por que a prática política da violência e da destruição de patrimônio público e particular, não os credencia para representar ninguém, por isso a sua própria prática os prejudica, não os ajuda, por que dão um tiro no próprio pé. Colocam a sociedade como um todo contra sua forma de manifesto, ao invés, de politizar e ganhar a sociedade para o seu lado.

Também não contribui o desenvolvimento social e com o movimento de massas organizado, partido políticos de esquerda, sindicatos e movimentos populares, por que num governo democraticamente eleito pelo povo, que tenta governar para o povo, por que também sofre pressão desse povo organizado! Por outro sofre pressão das elites conservadoras e dos meios de comunicação para lhe tirar o viés democrático e popular, tentando colocar esse governo, para que ele continue a fazer o que historicamente os governos sempre fizeram, ou seja, governar somente para os mais ricos, governar para elites politicas urbanas e rurais, para latifundiários, para grandes empresários e banqueiros.

As atitudes orquestradas do Black blocks que se acha de extrema esquerda, revolucionários, mas ao contrário do pensam somente atendem aos apelos de uma direita desesperada em achar algo para se agarrar e atacar o governo e conseguir um fato político que seja possível de ser usado no período eleitoral. O até agora não conseguiram. Por isso, tentam, como disse desesperadamente se utilizar dos Black blocs, inocentes uteis, para ilustrar as páginas dos jornais onde a tônica essencial é desqualificar e falar mal do governo.

Eu sinceramente acredito que esses grupos estão fazendo um papel de forma ingênua, onde as ações que tem sido tomadas por esses grupos, tem servido as elites políticas conservadoras, internas para tentar capitanear uma crise que não tem nem o tamanho, nem a dimensão que eles pregam, contra o governo. Tentando criar fatos políticos em vésperas de grandes eventos, como foi na Copa das Confederações, e como pretendem na Copa do mundo 2014 e provavelmente também nas olímpiadas de 2016.

E isso ficou muito claro com o triste episódio da morte do cinegrafista Santiago, da Rede Bandeirantes de televisão, onde é mais importante que o fato do lamentável ocorrido, o que se procura é politicamente culpar alguém que seja responsável pela orientação política daqueles jovens mascarados, para tentar vinculá-los politicamente, criando um fato político de grande envergadura em ano eleitoral.

As manifestações de ruas e os processos políticos geralmente nos deixam lições, que podemos usá-las para o nosso receituário político, e somos muito claros em dizer que se esconder atrás de máscaras, ou gorros pretos nunca foi prática política de organizações de esquerda. O protesto sim, a tentativa de fazer com que os governos tenham posições políticas voltadas para o seu povo e para o desenvolvimento nacional, sim. E disso não abriremos mão. Mas isso sempre fez e sempre faremos de peito aberto não escondendo o rosto e nem nossas posições políticas, pois se assim não fizemos, os grupos empresários e oligárquicos que historicamente dominaram a terra e os meios de produção no Brasil, teriam muito mais facilidade em colocar em seus bolsos, governos eleitos com características populares como nos últimos 10 anos.

Portanto é imperativo que continuemos nas ruas e tenhamos ações propositivas de pressão popular para que na base da correlação de forças possamos trazer o governo para o lado dos trabalhadores, para desempenhar suas políticas, para governar para nós os trabalhadores, homens e mulheres de bem, que com seu suor e trabalho constroem essa nação. E não há nisso nenhum problema de ordem moral ou filosófica ou politica das massas organizada em todos os países. Pois são, como disse os cidadãos que produzem em seus países a maioria da população, ou seja, os trabalhadores são em todos os países muito mais numerosos do às pequenas elites empresárias, maiores e bem mais numerosos do que os latifundiários, reza o bom senso que os governos governem para todos, buscando sempre atender a maioria da população.

E como dissemos os protestos de rua, as passeatas, as mobilizações, as pressões sobre a arena das decisões política é um instrumento legítimo dos cidadãos, dos trabalhadores, mulheres, homens, jovens que produzem para o país avançar e, além disso, contribuem através dos seus impostos para que os governo implementem políticas públicas para maioria do povo, garantindo para todos, saúde, educação, transporte, moradia, saneamento básico, direito ao esporte e a cultura.

Para que todos em uma sociedade sejam de fato cidadãos e assim se sintam participes da vida em coletividade, é fundamental que estejam incluídos, e observamos a radical mudança que houve nos últimos anos em termos de inclusão social, em trazer dignidade e cidadania para as pessoas, incluindo-as no mercado de trabalho, incluindo-as no acesso a educação, incluindo-as no acesso as necessidades básicas dos seres humanos, isso que é ter dignidade. E quando os governos assim não procederem e, esses trabalhadores entenderem que não estão sendo atendidos e se revoltarem, nada mais justo, que ganhem as ruas, façam pressão para que suas necessidades sejam atendidas prontamente. Para que os governos lhes dê atenção, lhes de guarida.

Portanto, acreditamos e defendemos como legitimas todas e quaisquer manifestações, mas sempre teremos o cuidado para que não sairmos da raia da razoabilidade. Pois a hora de derrubar governos é nas urnas, é na avaliação a que devemos submetê-los, numa sociedade justa e democrática.

O maior sentido das manifestações é o sentido da reivindicação justa. A pressão popular é fundamental para se crie canais de resguardo da democracia e da liberdade de expressão na sua plenitude, por exemplo, querem ir para as manifestações escondendo os rostos, não podemos impedir. Agora, que em nome de poucos depredadores do patrimônio alheio, escondidos atrás de gorros ou com suas cabeças envoltas em camisetas. Isso não aceitaremos principalmente, quando a depredação atinge o patrimônio público, pontos de ônibus, sinaleiros, praças e jardins públicos. Ou ameaçam a integridade de pessoas, como no caso do jornalista Santigo.  Até por que muitas vezes os movimentos sociais estão nas ruas, os partidos políticos de esquerda, os sindicatos e centrais sindicais é que estão nas ruas e acabam levando a culpa por causa de poucos.

E foram justamente nesses poucos, maus exemplos que a imprensa tradicional, marrom, elitizada e burocratizada se agarra para transformar as notícias em fatos políticos, tentando liga-los a grupos políticos partidos políticos, buscando criar fatos para serem usados em períodos eleitorais como dissemos. E com isso não concordamos, porque sempre fomos para as ruas com a cara limpa, no máximo com a cara pintada com a cor da indignação. E assim, sem máscaras já tivemos muitos avanços, muitas conquistas inclusive já derrubamos até um presidente, um movimento de massas sem precedentes na América Latina.

Não é. E não será com essa política de 360º que esses jovens que ingenuamente se acham de extrema esquerda e revolucionários, mas que na verdade estão se prestando a um serviço impulsionado por uma direita pequeninha numericamente, que é fascista, xenófoba, raivosa, excludente e segregaria. Que esta desesperada por que os pobres estão tendo acesso a bens de consumo, a novos modais de transporte, a novas condições de vida e que junto com isso vem à clara vontade e o desejo de querer mais.

E querer mais, é dar menos de mão beijada para essas elites conservadoras, é dar menos aos banqueiros, é dar menos aos latifundiários, é dar menos aos grandes empresários, que vê há décadas não investindo na produção, mas sim na especulação, no ganho fácil. E essa história mudou.  E não serão os Black Bocks inocentemente usados pela mídia tradicional que irão desestabilizar um governo que vem procurando governar no sentido da inclusão social, no sentido da distribuição de renda, no sentido do aumento de vagas nas escolas, de melhorias no sistema único de saúde.

E para que isso continue avançando, não podemos sair das ruas, as manifestações são fundamentais e legítimos instrumentos dos trabalhadores e dos movimentos sociais para conquistar mais. Para que isso aconteça é necessário que nos arvoremos de nossa autonomia no sentido de apontar as coisas que estão certas e as que estão erradas, criticando quando necessário, e defendendo quando as políticas forem voltadas para a população.

E não deixaremos que as elites políticas mais conservadoras, que detém os editorais das grandes redes de televisão, rádio e jornais e através dos seus editoriais para se apropriem do nosso histórico direito de protestar, influenciando parlamentares no sentido de criar leis sob outros argumentos, mas que de fato serviram para criminalizar os movimentos organizados da sociedade e suas justas causas. Como já visualizamos que existem iniciativas de se criar leis “antiterrorismo”, que na prática são leis para tentar desmobilizar setores organizados da sociedade que estão ativos e reivindicando melhorias nas condições de trabalho, nas condições de vida, nas condições de acessibilidade. E como desculpa para penalizar ações dos Black blocks, aparecem essas leis, mas na verdade não passam de tentativas de criminalizar esses movimentos sociais. Não somos e não defendemos os excessos e não aceitamos a violência. Mas não permitiremos que usem esses casos isolados de violência, como desculpa para tentar nos disciplinar socialmente, para nos enquadrar nos moldes de segurança que os grandes eventos exigem. De forma alguma permitiremos isso.

Márcio Kieller

Vice-presidente da CUT e mestre em sociologia política pela UFPR

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