Coluna do José Fernando Nandé: Nada me espanta na vergonha da Arena do Atlético

José Fernando Nandé

Não gosto de generalizações, mas às vezes sou tentado a usá-las. Ao estudar a história do Brasil, desde quando fomos Colônia, passando pelo Império e República, é fácil de se dar conta, com as honrosas exceções de sempre, que os governantes (municipais, estaduais, federais) e grandes empresários deste país sempre trataram a coisa pública como coisa privada. Um verdadeiro balcão de negócios em que se tem uma única finalidade, roubar o povo brasileiro. Está sendo assim com a Copa, ou alguém tem dúvidas, com o farto material de suspeitas de corrupção e superfaturamentos divulgados quase que diariamente pela imprensa.

Fato é que esta Copa no Brasil se fez o paraíso para os canalhas. O governo despeja montanhas de dinheiro em projetos duvidosos e as empreiteiras e outras partes interessadas enchem as burras. Em outras palavras, um mega esquemão, coisa de quadrilha mesmo. Para tal, usam de todas as artimanhas cobertas com o manto da legalidade, em legislação feita pelos próprios larápios e seus lacaios. Isso tudo, sem contar as famosas mutretas das licitações, a divisão do butim entre os envolvidos obtidos na pilhagem e por aí vai.

Caso não seja no roubo direto, naquela de se vender o que não se tem e nunca entregar, porque se arruma um jeito para falência antes ou durante a empreitada, essas empresas partem para a chantagem mesmo. Já no início, com o superfaturamento e logo adiante, com a obra em andamento, seus donos e sócios arranjam mil maneiras para conseguir os tais aditivos ao contrato inicial, uma magia bem brasileira, porque quase sempre a grana nunca dá conforme o orçamento inicial.

O episódio da Arena do Atlético Paranaense só ilustra isso. Esperou-se o limite para se constatar o óbvio, mais grana para dar prosseguimento ao que estava começado e que pode não terminar a tempo do início das competições. Cantamos essa bola no começo das obras e ainda insistimos que, mesmo comprovadas as possíveis irregularidades, ninguém será punido. Aqui, neste país maravilha, processos demoram anos e pouco se faz para se recuperar o dinheiro mal empregado.

Lamentável, mas tudo isso somente demonstra que não temos um governo diferente dos outros que já tivemos em nossa triste história marcada por assaltos aos cofres públicos. Nada mudou além das moscas, porque a porcaria continua a mesma.

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Sobre Rodini Netto

Jornalista de profissão, editor dos Blogs Meandros da Política (Brasil), Versão Brasileira (Europa). Diretor do Jornal Diário de Piraquara Consultor de Comunicação Digital
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