Coluna do Márcio Kieller: Para continuar mudando a história das coisas

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A coluna do Márcio Kieller é normalmente publicada às terças. Excepcionalmente a estamos publicando hoje.

Márcio Kieller (*)

O que buscamos para 2014? O que queremos para nós e para todos os nossos? Como queremos que seja o Brasil no presente e no futuro? Quem de fato nos representa? Quem nós queremos que nos represente? O que mudou no Brasil na última década? Como podemos ser protagonistas nesse processo!

Temos respostas para todas essas questões! Mas a última questão é a mais fundamental delas, podemos ser protagonistas nesse processo. Sim, na verdade somos os verdadeiros protagonistas de processo e do caminho que o Brasil vai tomar. Mas é necessário que façamos uma leitura e análises das variáveis que estão envolvidas para que possamos traçar respostas para todas as outras questões!

O Brasil na última década teve um processo importante de avanços do ponto de vista social que foram uma guinada no sentido da inclusão social, na pavimentação para a construção de uma democracia participativa como fruto de um processo de inclusão de políticas de médio prazo, de acesso e de participação das e nas decisões, como foram todos os processos das muitas conferências nacionais que aconteceram, em diversas áreas da sociedade, respeitando a participação de todos os setores organizados da sociedade nas suas etapas municipais e regionais, como nas conferências de Saúde, de Educação, de Comunicação, da Juventude, da Previdência Social, das Cidades, da Economia Solidária, dentre tantas outras conferências que aconteceram e que trouxeram para a sociedade organizada outro papel, que não somente o de protestar, não de ser somente pedra, mas também poder ser vidraça, de contribuir com as discussões e os caminhos que o nosso país precisa seguir, das decisões politicas que precisam ser apontada para que houvesse prosperidade e crescimento econômico com ênfase no desenvolvimento social.

Em 2014, esse processo de participação será decisivo para que façamos a reflexão sobre que país queremos? Se queremos o tipo de desenvolvimento da última década, ou não? E pelo que observarmos da situação política e social do país, pela opinião daqueles que foram incluídos, daqueles que tiveram acesso às políticas públicas e não da imprensa tradicional que somente dá eco as reinvindicações daqueles grupos que os patrocinavam e que foram desalojados do poder, podemos dizer que sim! Sim, queremos a continuidade do desenvolvimento nessa toada. Mas com mais participação, com decisões que favoreçam as classes menos favorecidas no Brasil. Com atitudes que aprofundem a inclusão social, com políticas aumentem ainda mais o número de crianças na escola, que tenham como foco a erradicação do analfabetismo e das graves doenças no Brasil. Políticas que possibilitem mais acesso dos jovens a Universidade, que continue gerando emprego com carteira assinada e também continuem gerando e distribuindo renda para todos os brasileiros. Que continue desenvolvendo programas sociais que possibilitem acesso à casa própria ao maior número de brasileiras e brasileiros possíveis.

Portanto, o que acontecerá no Brasil é uma clara disputa de projetos políticos, onde se aglutinam forças políticas que tem interesses distintos. De um lado agrupados os grandes grupos empresariais agrários e urbanos, influenciados pelo capital estrangeiros e por elites políticas regionais e grandes latifundiários que querem novamente a volta das benesses históricas que essas elites políticas sempre desfrutaram. Não que essas benesses tenham acabado no Brasil. Mas a lógica que se se imprimiu na arena política depois da eleição do Partido dos Trabalhadores- o PT no Brasil começou a estabelecer de fato e de direito políticas públicas de inclusão, mudando a lógica do governo que anteriormente governava somente para os muito ricos. E essa lógica mudou para que políticas de governo que são voltadas para as duas pontas da estrutura social no Brasil, para os muito ricos e os muito pobres.

O ciclo político que se findou com época das elites dominantes, as empurrou para outra esfera de aglutinação política. Como no Brasil o sistema eleitoral é totalmente depende de recursos e voltados para campanhas estruturadas, essas elites passaram também a contribuir para além de suas ideologias, esperando o retorno dos seus financiamentos de determinadas campanhas através de indicação de nomes para cargos importantes e posições chaves nos governos. O que impede que de fato as políticas que precisam ser feitas para as classes que mais precisam, sejam efetivamente implementadas. Isso aliado a posições políticas que privilegiam mais a economia pensando na saúde das empresas do que na saúde das pessoas. Isso faz do governo popular que vem trazendo alguns avanços ainda tenha algumas amarras no sentido da implementação de fato de políticas públicas que possam de fato ser motivadoras da geração de emprego, de renda e de dignidade para as pessoas.

Por isso é determinante que em 2014 tenhamos o projeto político vencedor das eleições! E que este projeto que esteja voltado para o social, que privilegie o desenvolvimento humano e não somente o econômico. Que não tenha a política de defesa de superávit primário como a mais fundamental. Mas que entenda e que coloque em prática uma economia a serviço da política cotidiana dos indivíduos, dos cidadãos, privilegiando pessoas e não indústrias e empresas, em função de suas contribuições milionárias para as campanhas eleitorais.

O ano de 2014 e a questão eleitoral apesar de ter um calendário próprio de execução, vai transmitir a questão eleitoral para todas as esferas da vida social. Ou seja, disputas sindicais ficaram mais acirradas, sejam para potencializar o debate democrático, sejam para neutralizar estruturas que possam democratizar o debate e influir nas eleições. Assuntos sobre a politica e as eleições serão pautas cotidianamente das páginas dos jornais escritos, vistos e falados. Temas adjacentes serão colocados na ordem do dia para se tornarem foco da agenda política e eleitoral. Principalmente por que a disputa não se dará em cima de modelos econômicos. Afinal o caminho da economia tem tido acertos constantes, no sentido de crescimento, no sentido de geração de empregos com carteira assinada, nos sentido da distribuição de renda para a sociedade.

Por isso é muito provável que a pauta do calendário eleitoral construído pelas elites, e colocado na arena eleitoral, seja possivelmente focado em função de posições politicas, de raça, de cor, de credo e de orientação sexual. E não de capacidade de gestão, de proposta programática dos partidos e dos candidatos que disputam os pleitos eleitorais. Assim, como podemos constatar no calendário eleitoral americano, que em função do Banco Central americano ser um órgão independente do governo, o que faz com que a economia não seja mais o diferencial entre as propostas dos candidatos a vaga de presidente americano. Não há diferenciação entre uma proposta ou outra, dos candidatos. Mas o que baliza a campanha eleitoral americana são questões secundárias, como a conduta pessoal do pretendente ao cargo. Se foram ou não, fiéis, se tiveram ou não problemas de outras naturezas. E não como deveria ser o eleitorado dando importância para as posições políticas e programáticas dos candidatos, isso sim que deveria dar o tom do processo eleitoral.

Aqui no Brasil, corremos o risco de ir para pelo mesmo caminho, com a colocação de temas secundários na ordem do dia. Afinal, temos uma mídia no Brasil que é dirigida por setores retrógrados da sociedade, que considera oportunisticamente alguns assuntos tabus. Principalmente quando observamos que a disputa política é muito desigual, pois como podemos observar o sistema político, vemos que é organizado para campanhas milionárias, e não para dar a oportunidade escolha aos eleitores, não para dar a oportunidade para que os eleitores tirem suas conclusões, não é assim que funciona. Funciona justamente ao contrário, pois a mídia tenta de forma desavergonhada pautar o pensamento dos eleitores.

Por isso vai ser fundamental que tenhamos nossas militâncias, partidárias, sindicais, ambientais, juvenis, de bairros, de cooperativas, de gênero e de trans-gêneros mobilizadas, atentas e preparadas para o jogo eleitoral. Pois somente com a militância bem informada e preparada para o debate político vindouro é que poderemos fazer frente ao poder do dinheiro e das grandes articulações políticas das elites, das grandes corporações internacionais e nacionais que historicamente defendem seus interesses.

Este ano que entra estarão em confronto dois projetos que se destacam pela diferença entre a possibilidade do desenvolvimento sustentável com compromisso social, responsabilidade com o meio ambiente e com as espécies que habitam esse meio, e o cuidado com os recursos que são usados no cotidiano pelo nosso povo. Contra um projeto que não tem preocupação nenhuma com as pessoas e com o meio que elas vivem. Projeto que buscam exaurir nossos recursos naturais e vegetais, através da privatização das fontes de energia, todas elas. Para que possam fazer uso irracional delas e depois nos entregar ao longo do tempo o bagaço do que delas sobraram.

E contra isso que o povo brasileiro e os setores progressistas da sociedade têm que lutar. Lutar para construir a perspectiva de um governo voltado para o desenvolvimento sustentável, que tenha a permanência da vida como objetivo para às presentes e para às futuras gerações. E tenham certeza que esse governo de novo tipo e de concepções sociais mais avançadas, não se dará somente com a escolha do projeto político de desenvolvimento para o país, ou só com a escolha do governante maior, que ocupará a presidência da Republica ou o cargo de governador de estado, não. É preciso mais, é necessário ir além de eleger o projeto que tem apontado para avanços necessários. É preciso oxigenar de pessoas e de ideias o Congresso Nacional e as Assembleias Legislativas dos estados.

Criar consciência nos eleitores que avanços sociais importantes dependem de um congresso novo, com representações sociais que reflitam mais a cara da sociedade. Afinal, numa simples aferição sobre o perfil sócio econômico da composição política do atual Congresso Nacional podemos ver que falta representantes das classes populares. A grande maioria dos deputados representa grupos políticos, setores empresariais, latifundiários e setores das igrejas. A representação da bancada dos trabalhadores é muito inferior ao peso social que os trabalhadores têm e representam na sociedade. Fazer no processo eleitoral de 2014 uma grande bancada vinculada aos setores sociais mais necessitados e aos trabalhadores é fundamental para que se continue avançando nas políticas sociais de médio prazo que vem sendo implementadas no Brasil.

Quem dera fosse por passe de mágica transformar o Brasil e o Paraná em um país e em um estado mais democrático, participativo, avançado e justo. Mas não é. Isso é fruto de construção de consciência coletiva, da conscientização da importância que o cidadão tem na sociedade, para que ele participe cada vez mais, exija cada vez mais e não somente quando é pautado pela mídia tradicional. O que aconteceu em junho passado foi um claro recado que os indivíduos deram e disseram que querem mais presença do estado na vida das pessoas, e não menos. Que querem serviços públicos de qualidade e não privatizações e concessões em longas escalas.

E não podemos deixar que grupos midiáticos, empresárias e políticos se apropriem daquele importante movimento que saiu às ruas e exigindo respeito e participação. Temos que continuar incentivando que as pessoas vão as ruas exigir melhores condições de vida, acesso as políticas públicas, participação e a inclusão social e cidadã com desenvolvimento social, cultural e ambiental.

Somente dessa forma poderemos continuar a caminhar no sentido do que o Brasil vem tentando trilhar. Mas tem encontrado dificuldade em função dos os inimigos do desenvolvimento coletivo, que vem brecando, que vêm tentando jogar para baixo, desqualificando, tentando jogar em descrédito o que tem sido feito. A participação de todos é fundamental para que continuemos a mudar a história das coisas no Brasil. E as cartas estão lançadas para que possamos dar essa sequência, mas não será fácil. Pois nada que é fácil tem duração e valor, nada que é de graça se aproveita, diferente do que é conquistado com os louros do processo histórico de construção de um modelo diferente.

Temos um país e um povo que amadure a cada dia, que constantemente se atualiza que tem estudado mais, que tem tido noção e discernimento do que é certo e errado, que não quer nada de forma fácil. Que quer respostas para as questões sociais e que sabe que o Brasil precisa continuar nessa toada de desenvolvimento inclusivo que exige e quer sua autonomia de saber o que é bom ou ruim, de saber o que é certo ou errado. Somente assim caminharemos para a construção de uma grande nação, com justiça social, desenvolvimento social, fraternidade, paz e justiça para todos, sem exceção.

Portanto nos preparemos para o grande embate político do ano, que terá reflexos como já apontamos acima, em todos os setores e em todos os temas da sociedade. Não faltaram calunias, infâmias e jogo pesado e deslealdade. Pois o que esta em jogo é a condução política de um país que alçou a condição de potência mundial apesar de muitos não reconhecerem, mas é o fato.

O Brasil é hoje a sexta maior potencia mundial é o país líder de países em desenvolvimento nos quatro continentes, diversificou sua balança comercial com outros parceiros, deixando da histórica dependência de países desenvolvidos, como defendiam alguns teóricos de sustentação de governos passados, que o Brasil somente deveria fazer parceria com países ricos e esquecer países em desenvolvimento. Ver que o Brasil deu certo em função de um projeto político diferente, ousado e principalmente calcado no desenvolvimento social e na inclusão. Saber que esse projeto não foi desenvolvido por suas elites tradicionais, representantes políticos seculares dos donos do poder no Brasil desde as sesmarias. Que não conseguiram a projeção política e social que o país alcançou em pouco mais de uma década de desenvolvimento de um programa político voltado para a sociedade, com inclusão social, diminuição da pobreza e principalmente de acesso as pessoas as políticas mais básicas de que necessitam os seres humanos propiciando a incluídas renda, trabalho, acesso à saúde e a educação, com a reconstrução da dignidade humana.

Por esses motivos, é que esta em nossas mãos. Nas mãos das pessoas politizadas, nas mãos das pessoas esclarecidas, não voltar atrás, não retroceder, mas sim avançar, consolidar conquistas, transformar essas conquistas em políticas de estado e não de governos, para que não se possa mais acabar com elas e continuar a constantemente a diminuir as diferenças entre quem tem muito e os que não têm nada ou tem muito pouco nesse país.

E por isso que com tranquilidade e determinação afirmamos que é fundamental nossa participação no processo político e eleitoral que se avizinham para continuara a mudando a história das coisas no Brasil.

(*) Marcio Kieller – Vice Presidente da CUT/Pr e mestre em sociologia política pela UFPR

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Sobre Rodini Netto

Jornalista de profissão, editor dos Blogs Meandros da Política (Brasil), Versão Brasileira (Europa). Diretor do Jornal Diário de Piraquara Consultor de Comunicação Digital
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