Coluna do José Fernando Nandé: Curitiba perdeu um ano com Fruet e é só abandono

ze fernando

A partir de hoje o jornalista José Fernando Nandé passa a escrever sua coluna semanal, às quartas,  para o Blog Meandros da Política. Aprecie sem moderação.

José Fernando Nandé (*)

Quisera estar aqui falando maravilhas do prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet (PDT). Afinal, fiz campanha para ele, votei nele. Mas, infelizmente não posso, fiz a campanha errada e votei errado. Falo isso na tranquilidade de quem está acostumado com a autocrítica; em reconhecer seu erro no começo do erro. Como neste caso, já nos primeiros dias do mandato do novo prefeito, quando ele anunciou o secretariado com um ou outro nome razoáveis, de reconhecida competência e outros inexpressivos, sabidamente ocupando os seus cargos não por méritos, mas por acordos partidários e de compadrio, quando não, de família. A partir da nomeação desse secretariado não representativo das mudanças que Fruet havia proposto na campanha, e que se refletiram no resultado das urnas, não restou mais nada a fazer do que denunciar o embuste eleitoral. Fruet estava cercado de tudo aquilo que havia negado durante a campanha. E fazia exatamente o oposto do que se esperava dele, que era uma mudança radical no jeito e maneira de governar nossa cidade, que respirava e respira por aparelhos, internada há anos na UTI da inoperância e mediocridade. Sou cidadão e um homem do povo, moro em bairro, sei a língua dos que convivem comigo, suas necessidades. E assim sendo, nada me custaria escrever e pedir pelos compromissos assumidos por Fruet com a nossa gente. Mas havia uma surdez do outro lado, pois os indicados por Fruet se deslumbravam com os novos cargos, ritos do poder e não governavam. Ao escrever meus primeiros textos, logo após as eleições, duros em relação ao novo governo, fui cobrado várias vezes por aqueles que pedi os votos para o atual prefeito e tive que me explicar. Acho que convenci meus companheiros em poucos meses. Na realidade, nem foi necessário dizer muito para convencê-los, pois seus próprios olhos estavam enxergando que nossa Curitiba andava para os lados. Quando não para trás, de rastro e totalmente sem rumo, com ausência quase que total de decisão, projetos e gestão, presentes somente num discurso de um prefeito totalmente atordoado e arrastado pela corrente da incompetência de seus aliados. Com a Saúde caótica na cidade, com gente morrendo nas unidades de saúde, o prefeito resolveu passar alegremente o Carnaval daquele seu primeiro ano de mandato, foi para a avenida e ganhou manchetes e presença nas colunas sociais, mas no primeiro embate político sério que teve perdeu-se, para grande decepção do povo. Nas negociações demonstrou-se vacilante. Os empresários conseguiram majorar as tarifas do transporte coletivo da cidade. Nem mesmo a ameaça e a concretização de uma CPI na Câmara foi suficiente para baixar os preços, que haveriam de receber leve alívio devido a mobilizações populares que se espalharam pelo país. Daí por diante foi o desastre que todo mundo conhece, nada andou, nada prosperou, a não ser a inauguração de mirradas obras da administração passada que estavam em atraso. Bom, resumindo esta triste história, o prefeito eleito com forte apoio popular hoje está aí, jogado na vala comum dos políticos sem expressão. Dele, perdido um ano inteiro, o povo pouco espera, pois já viu o jeito da madeira, que é a mesma que se reveza há mais de vinte anos na velha e corroída estrutura que governa Curitiba. Esperanças de que isso mude temos poucas, porque já entramos no segundo ano da administração Fruet e ele nem mesmo se coçou para fazer as mudanças urgentes em boa parte dos setores inoperantes da Prefeitura e no seu fraco secretariado. Projetos novos em perfeito andamento não há e por isso ele se apegou ao lendário metrô de Curitiba, panacéia inventada há décadas que resolveria todos os graves problemas da capital paranaense. Curitiba padece e chora. O cidadão que ama essa cidade, com desmedida paixão, desacredita. E pelo jeito assim se seguirão mais três anos de discurso e palanque, sem nada acontecer, a não ser que o prefeito Fruet tome inesperada atitude e honre os votos de confiança que nós, cidadãos curitibanos, depositamos nele.

(*) José Fernando Nandé é jornalista, escritor, professor, editor de livros, pós-graduado em Economia do Trabalho pela UFPR e mora em Curitiba há 40 anos.

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Sobre Rodini Netto

Jornalista de profissão, editor dos Blogs Meandros da Política (Brasil), Versão Brasileira (Europa). Diretor do Jornal Diário de Piraquara Consultor de Comunicação Digital
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