Autoescolas dizem não ao simulador

Brunno Covello/Gazeta do Povo

Brunno Covello/Gazeta do Povo / Equipamento simula condições reais no trânsito: custo para fazer habilitação deve subir R$ 250Equipamento simula condições reais no trânsito: custo para fazer habilitação deve subir R$ 250

Gazeta do Povo

A partir do dia 1.º de janeiro, as autoescolas de todo o país terão de oferecer aulas em simuladores de direção para quem for fazer a carteira de habilitação na categoria B (automóveis). A obrigatoriedade está prevista na Resolução n.º 444/2013, do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Serão cinco aulas de 30 minutos cada, após o aluno passar pelo ensino teórico. O simulador terá conceitos básicos de condução, marchas, circulação em avenidas, regras de segurança, congestionamento e situações climáticas e de risco, entre outros temas.

Apesar de a entrada em vigor da medida já ter sido prorrogada uma vez, donos de Centros de Formação de Condutores (CFCs) fazem lobby no Congresso, em Brasília, para tentar revogar – ou pelo menos adiar – a resolução. Segundo eles, o novo equipamento aumentará os custos para fazer a habilitação sem trazer benefícios concretos. “Os acidentes não acontecem por imperícia, mas sim por imprudência. E o simulador não vai mudar isso. É uma ferramenta que não pode ser desprezada, mas deveria ser opcional, e não obrigatória”, defende Justino Rodrigues da Fonseca, presidente do Sindicato dos Proprietários de Centros de Formação de Condutores do Paraná.

Em média, os aparelhos custam cerca de R$ 40 mil e, segundo o movimento Autoescolas do Brasil, que luta contra a resolução, o custo mensal de manutenção gira em R$ 1,5 mil. Os empresários do setor estimam que o usuário pagará aproximadamente R$ 250 a mais para obter o documento em 2014 por causa do simulador.

O prazo inicial para a implantação dos aparelhos, que era junho deste ano, foi prorrogado porque, na época, apenas uma empresa oferecia o equipamento. Hoje, quatro empresas são certificadas no Brasil para produzir os simuladores e mais duas estão em processo de homologação. Mesmo com mais opções, os donos de centros têm resistido à comprar os simuladores – no Paraná, apenas uma autoescola já teria comprado o aparelho, em Curitiba.

Conforme o Contran, os Detrans ficarão responsáveis por fiscalizar o cumprimento da norma. O diretor-geral do Detran paranaense, Marcos Traad, afirma que o órgão ainda não está preparado para fazer valer imediatamente a resolução.

Decreto

O deputado federal Mar­celo Almeida (PMDB-PR) apresentou na Câmara um projeto de decreto legislativo que pede a suspensão dos efeitos da resolução do Contran. O projeto ainda aguarda parecer da Comissão de Viação e Transportes (CVT) e não tem data para ser levado à votação em plenário. “O Contran não pode ter mais força do que a Câmara Federal. Essa é uma questão que precisa passar pela Câmara e o Senado. Acredito que a presidente e os ministros prorroguem o prazo para termos um maior tempo de discussão”, afirma.

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Sobre Rodini Netto

Jornalista de profissão, editor dos Blogs Meandros da Política (Brasil), Versão Brasileira (Europa). Diretor do Jornal Diário de Piraquara Consultor de Comunicação Digital
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Uma resposta para Autoescolas dizem não ao simulador

  1. adriana disse:

    a tecnologia aumentando e nosso sala´rio de instrutor de transito continua uma vergonha

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