COLUNA DO MÁRCIO KIELLER: DIA INTERNACIONAL DE COMBATE À VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES:

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“O Clamor de Camila, musicado pela Banda Nenhum de Nós.”

Ontem, segunda feira 25 de novembro foi o Dia Internacional de Combate à Violência cometida contra as mulheres. Conversando com minha companheira, que é assistente social e advogada, sobre a questão da violência cometida contra as mulheres, ela me alertou que a música “Camila, Camila – do Grupo Nenhum de Nós”, que fala sobre algo que eu, até então desconhecia na música que é a violência cometida contra a mulher! E que está praticamente exposto na música. Pois a letra da música é a na verdade um grande clamor no sentido de pedir de ajuda para a violência que a jovem Camila sofre. E o tema da violência retratado na música é ainda um problema grave e cotidiano que no Brasil de hoje aflige ainda muitas mulheres, o problema da violência, onde à prepotência masculina ainda amedronta e submete milhões de mulheres a relações de dependência, de subjugação, de medo e de vergonha.

Uma sociedade que se diz moderna, precisa sê-lo em todas as dimensões possíveis, no mundo de hoje não existe mais lugar para imposições unilaterais, pois precisamos entender que todos os seres humanos como seres dotados de consciência e de vontade.  E isso é fundamental para que possamos de fato construir uma sociedade avançada, fraterna e igualitária em todos os aspectos, sejam eles de democracia, de participação, de respeitos a posições e visões de mundo que as pessoas procuram expressar. Não existe mais na sociedade de hoje, espaço para engessar opiniões e nem para condenar escolhas sociais, pessoais ou recusarmos a aceitar a orientação sexual das pessoas. As pessoas nascem livres e como livres que são, tem o direito as suas escolhas.

Mas não é isso o que acompanhamos pelo nível das estatísticas e dos noticiários das rádios e das televisões, muito pelo contrário, ao invés do problema diminuir esta aumentando. Estão aumentando o número de casos de violência, estão aumentando o número de caso de perseguições e de vigilância por parte dos homens às suas companheiras, e está aumentando, e muito, o caso de mortes de mulheres por que não aceitam mais as condições indignas e sub-humanas que seus companheiros as submetem. Isso sem falar do aumento de casos de sequestro de mulheres e sua manutenção em cárceres privados, motivados por paixões doentias que fogem a razoabilidade, ou seja, são práticas inaceitáveis na sociedade em que vivemos.

Toda essa situação de violência física, psicológica e organizacional cometida contra as mulheres na sociedade é ainda agravada questões de dependência econômica, onde ainda há muita diferença gritante entre os salários dos homens e das mulheres no exercício do mesmo cargo. Ou pior que isso. Não conseguiu se estabelecer na sociedade o que se estabeleceu em nossa carta maior a Constituição Federal que não existe mais a figura “cabeça do casal”. Hoje as famílias devem se reger pelas relações compartilhadas, ou seja, ter um núcleo de pessoas que convivem juntas e bem estruturadas é função de ambos, do homem e da mulher, no que diz respeito a todos os aspectos, seja da manutenção da casa, da criação dos filhos, da disposição do tempo para que ambos possam ter suas atividades profissionais. Mas em muitos lugares, parece que vivemos no passado. Pois o homem continua sendo o provedor da casa, e a mulher a responsável pela criação e pela educação das crianças, isso mesmo quando ela esta inserida no mercado de trabalho, fazendo com que a mulher seja exigida em longas e extensas duplas ou triplas jornadas de trabalho Doméstico, parental e empresarial.

É urgente a necessidade de mudar esta situação mudar. Precisamos conscientizar e debater na sociedade para ganhar corações e mentes principalmente dos homens que precisam entender que a relação do casal, tem que ser estabelecida por ambos e não pela vontade de um ou de outro. É precisamos criar um caldo de cultura que leve para esse cenário, senão ainda teremos muitos e muitos casos de mulheres sendo servindo de dados estatísticos de mortes, estupros e violência. É imperativo que a partir de nossas casas possamos travar esse consciente de debate e fazê-lo alcançar dimensões sociais para que as famílias e a sociedade encampem esse tema fundamental para a diminuição de uma vez por todas do grave problema social que é a violência cometida contra as mulheres e também contra as crianças.

Nossas gerações presente e as futuras precisam entender que as relações compartilhadas são geradoras de cidadania e de democracia como valor universal, para que possamos saber que todas as coisas na sociedade precisam dessa consciência para que ela funcione e ande da forma que queremos, é fundamental o convencimento das pessoas, pois o convencimento faz com que as pessoas se sintam participes da construção da vida coletiva em sociedade e da vida em núcleos de pessoas, as famílias também.

Para que a Violência que é cometida contra mulher acabe. Cesse. Precisamos forjar um novo homem. Um homem provido de consciência da vida em coletividade, que não centralize o poder, que democratize os espaços familiares, que participe dos espaços sociais, que fale, mas também que ouça. Que dialogue, construa uma célula familiar baseada na compreensão, na fraternidade, na igualdade de direitos e de deveres. Se assim procedermos enquanto gênero, teremos nas mãos a oportunidade de acabar com a violência psicologia, física ou organizacional.

Exatamente, violência organizacional no sentido que também nos espaços públicos é necessário compreender, aceitar e principalmente implementar debates igualitários, não tratando às mulheres de forma diferente dos homens, não descriminando, não remunerando de forma diferente, como vemos nos dias de hoje, mulheres fazendo o mesmo trabalho dos homens e às vezes chegando a ganhar até 35% a menos do que é pago a eles.

Para estabelecer esse conceito novo de relacionamento compartilhado na vida em sociedade, são necessárias mudanças de cultura, de costumes e de posturas de todos, principalmente de nós homens. E isso começa pela adoção de medidas precisam coma compreensão de muitas das coisas não são dadas assim, e pronto! É preciso educação para que se chegue a essa compreensão e a essa mudança de postura. Inclusive de muitas mulheres, que tem essas relações sociais herdadas de gerações passadas como coisas dadas, como coisas pré-determinadas e que nada se pode fazer para mudar a realidade da situação da mulher na sociedade nos dias de hoje.

Isso é fundamental que aconteça com muito debate, transformação de cultura e de costumes, para que consigamos quebrar e continuar tentando quebrar diversos tabus sociais relacionados a diversos temas na sociedade: como o do racismo, como o das pessoas que tem orientação sexual diferente, como o da participação política das mulheres, assim como muitas outras. É assim que lentamente avançaremos com conscientização das pessoas, pois o legado cultural em muitos temas são legados de cultura positivista e machista de que as coisas são assim e pronto! E se nós tivéssemos aceitado que esses tabus eram inquebrantáveis teríamos desistido da nossa luta cotidiana para tentar quebra-los já nas primeiras tentativas e não foi assim que agimos desde o inicio muito pelo contrário, sempre fomos afirmativos nas políticas de ascensão de gênero, raça, credo, orientação sexual e religiosa.

Assim é fundamental reforçar a imperatividade que a sociedade se debruce sobre esses temas importantes, como o da violência que ainda hoje é cometida contra as mulheres, esclarecendo e denunciando a sociedade das mais variadas formas possíveis, inclusive da forma lúdica chamando a atenção da sociedade. Como fez a nossa Central Única dos trabalhadores do Paraná e suas federações e sindicatos, que já realizaram por duas vezes o chamado à sociedade sobre o tema através das PEDALADAS PELO FIM DA VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES. E obtivemos êxito por que saímos de nossas salas de reuniões e fomos para as ruas levantar e discutir o tema da violência cometida contra as mulheres, para que a violência deixe de ser a realidade para muitas mulheres na sociedade chamadas Teresa, Clara, Joana, Sandra, Maria, ou tantas outras como a Camila da música que descreve essa tão real crítica social que é feita pela música da banda de rock, Nenhum de Nós. A qual peço licença de transcrever e dou todos os créditos abaixo:

Camila, Camila – música da Banda: Nenhum de Nós

Depois da última noite de festa Chorando e esperando amanhecer, amanhecer As coisas aconteciam com alguma explicação Com alguma explicação

Depois da última noite de chuva Chorando e esperando amanhecer, amanhecer Às vezes peço a ele que vá embora Que vá embora

Camila Camila, Camila

Eu que tenho medo até de suas mãos Mas o ódio cega e você não percebe Mas o ódio cega

E eu que tenho medo até do seu olhar Mas o ódio cega e você não percebe Mas o ódio cega

A lembrança do silêncio Daquelas tardes, daquelas tardes Da vergonha do espelho Naquelas marcas, naquelas marcas

Havia algo de insano Naqueles olhos, olhos insanos Os olhos que passavam o dia A me vigiar, a me vigiar

Camila Camila, Camila

E eu que tinha apenas 17 anos Baixava a minha cabeça pra tudo Era assim que as coisas aconteciam Era assim que eu via tudo acontecer

O Clamor da Música: Camila, Camila é da banda Nenhuma de Nós. Mas a tarefa de dar vasão social a esse clamor de milhares e milhares de mulheres que sofrem a violência todos os dias, é de todos nós! Não podemos deixar de clamar a sociedade que acabe com esse mal que ainda aflige muitos e muitos lares que é a violência Doméstica cometida contra as mulheres. Por isso em nossas reflexões sociais, de amizades e familiar com filhas e filhos devemos ter dever cívico e cotidiano de sempre falar sobre o tema para que ele ganhe à dimensão social que tanto esperamos. Somente assim estaremos contribuindo para de fato construir uma sociedade livre desse e de tantos outros males que impedem que possamos viver em sociedade de forma justa, fraterna, solidária e igualitária.

Marcio Kieller

Vice Presidente da CUT/PR e Mestre em Sociologia Politica pela UFPR

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Sobre Rodini Netto

Jornalista de profissão, editor dos Blogs Meandros da Política (Brasil), Versão Brasileira (Europa). Diretor do Jornal Diário de Piraquara Consultor de Comunicação Digital
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